A comunidade do Jardim Pênfigo celebrou neste sábado (15) a Festa de Nossa Senhora da Vitória, uma tradição que reúne fé, confraternização e trabalho voluntário. O evento, que acontece ao longo de agosto, mobiliza moradores em momentos de devoção, com comidas típicas e convivência.
Para Luiz Carlos, 47 anos, barbeiro, falar de Nossa Senhora da Vitória é falar da própria história. Morador e integrante da comunidade que leva o nome da santa, ele participa da festa há anos e diz que a devoção está presente tanto nos momentos de alegria quanto nas dificuldades. “Tudo que eu tenho na minha vida é tudo perante essa Nossa Senhora da Vitória. Ela tem me trazido muita alegria, muita vitória”, conta. Para ele, a fé também aparece nos dias em que as coisas não saem como esperado. “Às vezes cansado, às vezes as coisas dão errado, a gente comunica: Nossa Senhora da Vitória está com a gente.”
Uma das organizadoras, Zilda da Silva, 54 anos, conta que a preparação começa antes mesmo dos dias de celebração. A comunidade se reúne, divide tarefas e decide em conjunto cada detalhe da programação. A festa é realizada após três dias de tríduo e reúne barracas de comidas, brincadeiras e música ao vivo. Segundo ela, embora a tradição exista há anos, nos últimos 6 anos a festa passou a ocorrer de forma contínua.
Para Margarida da Silva, 51 anos, participar da festa é uma experiência que mistura cansaço e gratidão. Ela e o marido, Wagner, ajudam todos os anos, com a participação de toda a família. “A gente acaba se apaixonando por aquilo que a gente pratica e faz”, afirma. Para ela, o esforço da organização compensa quando a comunidade se reúne. “A gente trabalha muito, cansa muito, mas a alegria de estar servindo ao Senhor, de estar buscando as coisas pra casa de Deus, é muito gratificante.”
Mais do que arrecadar recursos para a igreja, Margarida acredita que a festa ajuda a aproximar pessoas que nem sempre convivem no dia a dia. “Acho que acaba aproximando muitas pessoas. A gente começa a ter contato com outras pessoas, coisas que a gente não tem no dia a dia.”
Essa união também é percebida por quem chegou recentemente à comunidade. O professor José Wilson, 47 anos, participa da festa pelo segundo ano. Morador em frente à igreja, ele conta que acabou se envolvendo naturalmente com a celebração. “Não tem como não se envolver com a festividade aqui da igreja”, diz. Vindo de outra comunidade da Paróquia Cristo Rei, ele afirma ter sido recebido de forma acolhedora e destaca o empenho dos moradores para melhorar e cuidar do espaço.
Para José, a festa também funciona como uma ponte entre diferentes pessoas. Católicos e visitantes de outras religiões se encontram, conversam e participam juntos da programação. Além disso, a arrecadação ajuda a comunidade a realizar melhorias na igreja.
O casal Jossiane Martins, 50 anos, e Hilton Franco, 54, também está entre os que transformaram a festa em compromisso anual. Apesar de frequentarem a paróquia há pouco tempo, eles já colocaram a celebração no calendário. “É uma comunhão, a comunidade se reúne, é fantástico porque além do espiritual tem o social”, resume Jossiane. Hilton completa que a participação não se resume à celebração religiosa. Para ele, os momentos de descontração também fazem parte da experiência de estar em comunidade. “É estar juntos, não só na celebração eucarística, mas também nesses momentos de descontração.”
Na festa, cada detalhe preparado pelos moradores ganha um significado diferente. O arroz carreteiro, o espetinho, o pastel e até o bingo são atrações, mas, para quem participa, o principal está no gesto coletivo de preparar tudo com as próprias mãos. “São pessoas que fazem, não é a contratação de profissionais. É feito com muito carinho”, afirma o casal.
Para Luiz, é justamente essa união que dá sentido à celebração. Ele conta que, junto da esposa, procura participar não apenas da organização, mas também acolher quem chega. Para ele, ajudar a comunidade é uma forma de expressar a própria fé. “Não é aquela coisa festiva, mas sim aquela partilha do momento dos irmãos juntos, da confraternização”, explica.
