Notícias

Exército de anjos leva motociclista de MS ao Canadá

A viagem de Celinho ao redor do mundo já percorreu a América do Sul, atravessou a América Central e agora alcança a América do Norte. Depois de milhares de quilômetros desde a…

Conteúdos Evergreen
Por Conteúdos Evergreen 4 min de leitura
Exército de anjos leva motociclista de MS ao Canadá
Celinho (Foto: @celinhovoltaaomundo)

A viagem de Celinho ao redor do mundo já percorreu a América do Sul, atravessou a América Central e agora alcança a América do Norte. Depois de milhares de quilômetros desde a saída de Campo Grande, o motociclista está no Canadá, uma das etapas mais aguardadas da expedição.

Ao longo do caminho, as paisagens mudaram, fronteiras ficaram para trás e novos desafios surgiram diariamente. Mas existe um elemento que permaneceu presente durante todo o percurso: um verdadeiro exército de anjos. São pessoas que aparecem no momento certo, resolvem problemas, abrem portas, oferecem comida, hospedagem e apoio emocional. Algumas surgem de forma inesperada durante a viagem. Outras permanecem no Brasil, ajudando Celinho a seguir em frente mesmo a milhares de quilômetros de distância.

Já no Canadá, Celinho conta que está bem física e psicologicamente. A motocicleta também segue em ótimas condições, exigindo apenas as manutenções naturais de uma viagem tão longa. A dimensão humana da jornada, porém, é o que mais tem chamado sua atenção. “Hoje eu até me emocionei na moto, ouvindo música e vendo tanta coisa bonita aqui no Canadá. Até me questionei: será que eu mereço tanto?”

Os anjos que aparecem pelo caminho

Um dos episódios aconteceu na alfândega da Colômbia. Celinho chegou quando o atendimento já havia encerrado, mas os funcionários permaneciam no local assistindo ao jogo da seleção colombiana. Mesmo fora do horário, um deles decidiu realizar todo o procedimento para que o motociclista pudesse seguir viagem. Na mesma noite, outro gesto ficou marcado. Sem conseguir encontrar um restaurante aberto por causa da comemoração da vitória da Colômbia, o proprietário do hotel resolveu preparar pessoalmente o jantar para o brasileiro. Francês e ex-chef de cozinha de navio, ele ainda fez questão de permanecer conversando com Celinho durante a refeição.

Um irmão encontrado pela internet

Outro personagem importante dessa história é Leandro, conhecido em um grupo de WhatsApp de motociclistas. Durante uma conversa, os dois descobriram que eram da mesma cidade, Quirinópolis (GO). Depois vieram outras coincidências: a mãe de Leandro havia comprado uma antiga loja da mãe de Celinho e ele também era amigo de seu irmão. Hoje morando há mais de 25 anos nos Estados Unidos, Leandro recebeu Celinho em sua casa e transformou uma amizade virtual em um laço de irmão. “Eu chamo de irmão porque ele não é uma pessoa normal. O coração que ele tem é muito diferenciado”, afirma Celinho. Para ele, “ser incrível é fazer com que as pessoas se sintam incríveis”.

Um reencontro improvável

No Panamá, a viagem reservou outro momento especial. Sandra, amiga de Quirinópolis, comemorava seus 60 anos no país quando reconheceu Celinho em meio aos turistas e o chamou pelo nome. Mais tarde, levou pão de queijo até a casa de Leandro, onde ele estava hospedado. “Essas coisas fortalecem a gente demais”, resume o motociclista.

Os anjos que ficaram no Brasil

Mas nem todos os anjos estão na estrada. Enquanto Celinho cruza fronteiras, uma rede de apoio mantém a expedição em movimento. Jana, sua esposa, passou a assumir algumas tarefas da expedição, ajudando Celinho a resolver pendências enquanto ele segue na estrada. Sérgio, seu cunhado e sócio, ajuda a resolver problemas do dia a dia e agenda manutenções da motocicleta quando necessário. Há também Noel, responsável pelas câmeras da moto; Josimar e Francisco, que ajudam nas questões técnicas; Emília, que organiza contas e pagamentos; além de muitas pessoas que enviam mensagens diariamente desejando proteção, força e uma boa viagem. “Tem muito anjo aí. Sou muito abençoado, graças a Deus.”

A hospitalidade canadense

Na chegada ao Canadá, outro encontro inesperado. Ao tentar falar inglês durante a imigração, Celinho foi surpreendido quando a policial perguntou se ele preferia conversar em português. Ela era brasileira. Em Vancouver, motoristas buzinavam e acenavam ao perceber a bandeira do Brasil na motocicleta. Para Celinho, cada fronteira atravessada reforça uma certeza: são as pessoas que transformam uma viagem em uma experiência inesquecível. “Todos os encontros foram por providência, não por coincidência.”

A motocicleta leva Celinho pelas estradas do mundo. Mas é esse exército de anjos — formado por desconhecidos, amigos, familiares e colaboradores — que torna a jornada mais segura, organizada e humana. A viagem continua, e o exército de anjos só tende a crescer.

Conteúdos Evergreen

Conteúdos Evergreen

Produzidos pela equipe editorial da Folha do Noroeste, conteúdos evergreen que mantêm valor ao longo do tempo.

Mais textos do autor →