Aluno esfaqueia professor em aula de reforço em Manaus
Adolescente de 14 anos atacou o docente pelas costas durante aula particular na zona centro-sul; caso é investigado como tentativa de homicídio
O professor particular Vinícius Siqueira Figueiredo, de 23 anos, foi esfaqueado por um aluno de 14 anos durante uma aula de reforço em uma instituição de ensino privada no bairro Nossa Senhora das Graças, na zona centro-sul de Manaus, na noite de quarta-feira (26 de agosto de 2026). O caso é investigado pela Polícia Civil do Amazonas como ato infracional análogo à tentativa de homicídio.
Segundo o G1, imagens das câmeras de segurança do local mostram o professor de costas para a turma, escrevendo no quadro, no momento em que o estudante se aproximou e o atacou por trás. De acordo com a família, foram nove golpes de faca, atingindo a região próxima ao pescoço, os braços e as pernas da vítima.
O Metrópoles descreveu que, nas imagens que circularam nas redes sociais, o adolescente aparece vestido de preto e persegue o professor mesmo após os primeiros golpes, mesmo com ele já caído e tentando se defender. A vítima conseguiu fugir para outro cômodo e se trancar até a saída do agressor.
Quem prestou socorro e como está o professor
Conforme o Metrópoles apurou junto à Polícia Militar do Amazonas, foi um cirurgião-dentista que ouviu os gritos em um imóvel vizinho quem acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O pai do adolescente chegou ao local após o ataque, mas, segundo a advogada da família do professor, Caroline Frota, não prestou socorro à vítima.
O professor foi levado inicialmente ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas informou ao Metrópoles que exames de imagem não indicaram comprometimento da cavidade abdominal, que os ferimentos foram suturados sob anestesia local e que o paciente recebeu alta com orientações médicas.
A família, no entanto, relatou à RedeTV! que o quadro de saúde piorou por conta de um sangramento interno identificado posteriormente, e que o professor foi transferido para uma unidade particular, o Hospital Check Up, onde passou por avaliação para verificar necessidade de cirurgia. Segundo o G1, os familiares afirmam que ele está fora de perigo, mas continua internado.
O que se sabe sobre a motivação do ataque
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), ouviu o adolescente na tarde de quinta-feira (27 de agosto). O delegado Luiz Rocha informou ao G1 que o jovem não explicou o motivo da agressão nem justificou por que levou a faca para a aula.
A defesa da família do professor, porém, apresentou uma hipótese à RedeTV!: a de que o ataque teria relação com uma nota baixa em avaliação, e que o adolescente teria premeditado a ação ao levar a arma para o local. Testemunhas descreveram o aluno como uma pessoa de comportamento retraído, mas a advogada da família ressaltou que não é possível confirmar transtorno psicológico ou psiquiátrico sem avaliação profissional.
Em vídeo gravado no hospital, reproduzido pela RedeTV!, o professor negou qualquer motivo para o ataque: "Não teve nada que justificasse. Eu ia corrigir a prova dele. Essa não era nem minha primeira aula com ele, era a terceira", declarou.
O pai da vítima, identificado como Theurym Figueiredo pelo G1 e como Teurinho Figueiredo pela RedeTV!, afirmou que o filho é estudante universitário e dá aulas particulares há cerca de dois anos para complementar a renda. "Meu filho é um menino bom, é um menino que só faz as coisas que ele julga boas. Não há necessidade para isso, não há justificativa, não há nada, não nada", disse ao G1.
Situação do adolescente e andamento da investigação
De acordo com o Metrópoles, o adolescente se apresentou voluntariamente à Deaai depois que o vídeo do ataque ganhou repercussão nas redes sociais. Após prestar depoimento, ele foi apreendido e encaminhado a uma unidade socioeducativa de Manaus, a Unidade de Internação Provisória (UIP), segundo o G1 e a RedeTV!.
A Deaai informou que não vai divulgar mais detalhes neste momento para preservar o andamento das apurações. Tanto o G1 quanto o Metrópoles relataram ter procurado a escola e a Secretaria de Educação do Amazonas para saber quais medidas foram tomadas, mas não obtiveram retorno até a publicação das matérias originais.
O que observar a partir de agora
O caso ainda depende de definições importantes: a Justiça deve avaliar as medidas socioeducativas aplicáveis ao adolescente, enquanto a investigação policial busca esclarecer se houve premeditação, como sugere a defesa da família da vítima, ou se o motivo permanece indefinido, como indicou o delegado responsável pelo caso.
Para famílias e instituições de ensino da região, o episódio reforça a necessidade de atenção a protocolos de segurança em aulas particulares e de reforço, especialmente em ambientes com pouca supervisão. Até o momento, nem a escola onde ocorreu o ataque nem a Secretaria de Educação do Amazonas se manifestaram publicamente sobre eventuais mudanças de procedimento após o caso.



