Rússia realiza segundo maior ataque aéreo na Ucrânia e deixa 23 mortos

Em uma das maiores ofensivas aéreas desde o início da invasão russa, Kyiv foi alvo de ataques que resultaram na morte de pelo menos 23 pessoas, incluindo quatro crianças, conforme informaram autoridades locais. A cidade enfrentou bombardeios que danificaram edifícios da União Europeia e do Conselho Britânico, levando ambos os órgãos a convocar os principais diplomatas russos.
As vítimas fatais incluíram crianças de apenas 2, 14 e 17 anos. A maioria dos mortos, ao todo 22, foi registrada em um ataque a um prédio de cinco andares localizado no distrito de Darnytskyi. Os serviços de emergência estão mobilizados para atender a múltiplas ocorrências nas áreas afetadas.
De acordo com a força aérea da Ucrânia, foram disparados 629 mísseis e drones durante a noite. O chefe de comunicação da força aérea, Yuriy Ihnat, destacou que esse foi um dos ataques mais intensos enfrentados pelo país até o momento. O ministério da Defesa da Rússia informou que o alvo das suas ações foram “empresas do complexo militar-industrial e bases aéreas militares na Ucrânia”, utilizando armamentos de alta precisão.
A resposta à ofensiva foi rápida. Autoridades ucranianas destacaram que centenas de socorristas foram mobilizados, inclusive nas instalações que representam a missão da União Europeia e o British Council no país. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, acusou Moscou de violar a convenção de Viena ao atacar diplomatas e solicitou uma condenação mundial.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou sua indignação, descrevendo os bombardeios como um “terrível lembrete do que está em jogo” e reafirmou a necessidade de diálogo, solicitando que Putin compareça à mesa de negociações. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, ressaltou que essas ações estão prejudicando as esperanças de paz.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, qualificou os ataques como um “massacre deliberado de civis”, afirmando que a Rússia continuará sua agressão indiscriminada. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia ainda está aberta a negociações, mas reiterou que “a operação militar especial” prossegue.
Entre os relatos de civis, Vitaliy Protsiuk compartilhou que sua esposa está desaparecida após o ataque. Ele descreveu o momento da explosão, quando se preparavam para se abrigar em um bomb shelter. A violência obrigou a população a buscar refúgio novamente, com alertas de ataques aéreos durando mais de nove horas.
A ofensiva em Kyiv ocorreu logo após reuniões diplomáticas entre representantes ucranianos e sauditas, além de uma futura reunião com autoridades dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, Putin se prepara para participar de um grande desfile militar na China.
Os ataques recentes em Kyiv são parte de uma série de ações agressivas que a Rússia vem realizando em diversas partes da Ucrânia. As forças russas conseguiram capturar recentemente duas vilas na região sudeste de Dnipropetrovsk, enquanto a pressão sobre Kyiv aumentou, desafiando os esforços de paz. A Ucrânia, com suas forças sobrecarregadas, enfrenta dificuldades para conter o avanço russo, e a situação parece se agravar.
Para marcar a tragédia, o município de Kyiv declarou sexta-feira como dia de luto oficial, com bandeiras a meio mastro e o cancelamento de eventos de entretenimento. As consequências dos ataques continuam a impactar profundamente a população, que busca segurança em meio a um cenário de incertezas e insegurança.