Democrata dos EUA quer explicações sobre sanção ao Brasil

A deputada americana Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida como AOC, questionou o governo dos Estados Unidos sobre as razões que justificam as sanções aplicadas ao Brasil durante a presidência de Donald Trump. Em uma proposta de emenda ao projeto de lei que estabelece o Orçamento da Defesa dos EUA, AOC pediu um relatório detalhado que explique como o governo brasileiro representa uma “ameaça incomum e extraordinária” para a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos.
As sanções foram implementadas por Trump em resposta a decisões do Judiciário brasileiro e resultaram em uma tarifa de 50% para produtos brasileiros importados. A deputada argumenta que essa avaliação deve incluir um análise do impacto dessas tarifas nas relações entre os dois países, descritos por ela como as “duas maiores democracias do hemisfério”.
O projeto do Orçamento da Defesa já inclui 985 emendas, e, apesar de AOC ser uma figura relevante dentro do Partido Democrata, suas chances de aprovação são limitadas, já que os democratas não possuem a maioria no Congresso.
Em 2023, AOC já havia tentado aprovar uma emenda para a liberação de documentos sobre a ditadura militar brasileira. Durante uma viagem à América Latina, ela visitou o Brasil e se encontrou com autoridades para discutir temas como os ataques de 8 de janeiro. Esse encontro a levou a focar na questão da democracia e na influência dos Estados Unidos na região.
A tarifa de 50% começou a valer em 6 de agosto de 2023 e incide sobre 36% dos produtos brasileiros exportados para os EUA, afetando itens importantes como máquinas agrícolas, carnes e café. No entanto, o decreto de Trump oferece cerca de 700 exceções, permitindo que 43% do valor das exportações escape das novas tarifas. Estão isentos produtos como derivados de petróleo, ferro-gusa e suco de laranja, por exemplo.
A decisão de impor tarifas ao Brasil foi justificada pela Casa Branca como uma maneira de lidar com ameaças à segurança nacional, embora muitos seus críticos apontem que a medida era mais uma crítica política ao governo brasileiro. O decreto menciona especificamente o ministro Alexandre de Moraes do STF e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta investigações sobre tentativa de golpe.