Administração Trump busca demitir maioria dos funcionários da VOA

A administração de Donald Trump anunciou a demissão de quase 500 funcionários da Voice of America (VOA), uma organização de notícias financiada pelo governo dos Estados Unidos. Essa ação faz parte de um esforço mais amplo do presidente para reduzir a influência da VOA, que tem sido acusada pela Casa Branca de ter uma linha editorial “radical”.
Kari Lake, a diretora interina da agência que supervisa a VOA, a Agência de Mídia Global (USAGM), afirmou que essa decisão visa reduzir a burocracia federal, melhorar os serviços da agência e economizar recursos para o povo americano. Entretanto, um sindicato que representa os empregados questionou a legalidade dessa medida.
A VOA foi criada durante a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de combater a propaganda nazista e, desde então, se tornou uma importante emissora global, operando em quase 50 idiomas. Segundo um documento judicial, a maioria dos cortes ocorrerá na VOA, que após as demissões ficará com apenas 108 funcionários.
Em junho, Lake havia anunciado inicialmente a demissão de 639 funcionários, mas essa notificação foi revogada devido a erros de papelada. Além disso, alguns empregados protocolaram ações judiciais para impedir as demissões programadas.
Recentemente, um juiz decidiu que a administração Trump não seguiu os procedimentos corretos ao tentar demitir o diretor da VOA, Michael Abramowitz. O juiz também determinou que Lake fosse interrogada por advogados em uma depoimento.
A ação judicial foi movida por um grupo de funcionários da agência que busca barrar os esforços para fechar a VOA. Em uma declaração, eles expressaram descontentamento com as críticas de Lake à agência e afirmaram que continuarão lutando por seus direitos legais.
Desde março, muitos jornalistas da VOA estão em licença administrativa, embora alguns profissionais que falam farsi tenham sido chamados de volta ao trabalho devido ao conflito entre Israel e Irã neste verão. Vale ressaltar que os cortes não afetarão os jornalistas que atuam na divisão de transmissão para Cuba, que opera a partir de Miami.
Críticos alertam que as tentativas de desmantelar a VOA representam um ataque à liberdade de imprensa e podem prejudicar a capacidade dos Estados Unidos de exercer sua influência positiva no exterior. A administração acusa a VOA de ter uma postura “anti-Trump” e de ser “radical”.