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A economia como arma geopolítica de Trump e riscos para o Brasil

A Ascensão da Geoeconomia e Seus Impactos no Brasil

Desde seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem abordado repetidamente a questão das tarifas comerciais. Essa ação não é apenas uma estratégia isolada, mas faz parte de uma mudança significativa nas dinâmicas econômicas globais, com a ascensão do conceito de geoeconomia.

A geoeconomia refere-se ao uso de processos econômicos como instrumentos de poder geopolítico. Países, especialmente os mais desenvolvidos, estão utilizando mecanismos econômicos, como sanções financeiras e controle sobre investimentos, como formas de influência política. Ao contrário das normas tradicionais que regem o comércio internacional, onde a Organização Mundial do Comércio (OMC) estabelece regras e medições, na geoeconomia, cada nação age em seu próprio interesse, sem um organismo internacional para intervir.

Essa mudança pode trazer consequências sérias para o Brasil. Peritos acreditam que o país será um dos mais afetados por essa nova dinâmica global. Os especialistas argumentam que o aumento das tarifas por parte dos Estados Unidos e a mudança nas regras comerciais em favor de sua política interna estão favorecendo a economia americana enquanto prejudicam o Brasil.

As Ferramentas da Geoeconomia

Na abertura de seu segundo mandato, Trump fez referência à renomeação do Monte McKinley para Denali, ligando esta ação a um histórico de tarifas que ele acredita serem fundamentais para a riqueza nacional. Essa mentalidade protetora foi refletida nas tarifas elevadas impostas ao Brasil e a outros países.

Renato Baumann, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), observa que a estratégia norte-americana é lutar contra o déficit comercial, priorizando as tarifas como principal ferramenta. Essa abordagem é vista como um retrocesso, já que nos últimos anos o foco estava em barreiras não tarifárias, como normas de origem e sanitárias.

O conceito de geoeconomia não é novo; surgiu na década de 1990, quando especialistas apontaram que métodos comerciais poderiam substituir a força militar nas relações internacionais. Atualmente, a geoeconomia inclui não apenas tarifas, mas também estratégias de investimento, como as que a China tem adotado em várias partes do mundo, financiando infraestrutura e assumindo o controle de ativos em caso de inadimplência.

Os Estados Unidos, que há pouco tempo eram considerados a economia mais aberta do mundo, estão se tornando o mercado mais protegido, apresentando uma média de tarifas de 17%, em comparação a apenas 2% em 2024. Ao mesmo tempo, o Brasil, que teve uma tarifa média de 12,4% no ano anterior, enfrenta um cenário comercial cada vez mais desafiador.

O Brasil Diante das Novas Desafios

Após o anúncio das novas tarifas, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil revelou que, no primeiro semestre de 2025, o intercâmbio comercial foi desfavorável ao Brasil, com um superávit americano de US$ 1,7 bilhão. Historicamente, o Brasil tem enfrentado um déficit em sua balança comercial com os EUA desde 2009. Essa situação reforça a percepção de que a geoeconomia está moldando as relações comerciais e o papel do Brasil neste novo cenário.

Especialistas destacam que o Brasil, tradicionalmente posicionado entre os interesses econômicos da China e dos EUA, encontrará dificuldades para escolher entre os dois. As tarifas impostas pelos EUA estão acompanhadas de um crescimento das exportações chinesas, que, no ano passado, representaram 28% das exportações brasileiras, um aumento significativo em relação aos anos anteriores.

Enquanto o Brasil se esforça para fazer acordos comerciais com outros países, incluindo blocos como a União Europeia, a pressão estatutária dos EUA para limitar a influência da China pode se intensificar. Essa dinamicidade torna a geoeconomia uma questão crítica e complexa para as futuras relações comerciais do Brasil.

Mudanças na OMC e a Crise das Regras Comerciais

A OMC, que historicamente mediou contratos comerciais globais, enfrenta um quesito fundamental de crise. Enquanto a organização foi criada para regular o comércio internacional, muitos especialistas argumentam que sua relevância está diminuindo em meio ao aumento de barreiras não tarifárias e à crescente rivalidade entre potências.

Com as atuais tensões comerciais, a OMC precisa se adaptar a um novo contexto, onde a geoeconomia e o uso estratégico de tarifas se tornam predominantes. Países que utilizam suas ferramentas geoeconômicas de forma assertiva são os que, provavelmente, conseguirão sobrepujar os desafios da nova ordem global, enquanto países como o Brasil deverão encontrar maneiras eficazes de navegar neste complexo e turbilhonante cenário econômico.

Editorial Noroeste

Conteúdo elaborado pela equipe do Folha do Noroeste, portal dedicado a trazer notícias e análises abrangentes do Noroeste brasileiro.

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