Os quatro primeiros meses de adaptação à reforma tributária mostram que as empresas passaram da fase de apenas monitorar regras para focar em uma atuação mais prática. Mas ainda há desafios. Nem todos os contribuintes estão conseguindo cumprir as exigências de destaque de informação dos novos tributos nas notas fiscais, e alguns municípios estão atrasados na disponibilização dos documentos no novo formato.
Em conversa com o blog, Luciano Idésio, vice-presidente Latam para o segmento corporativo da Thomson Reuters, e Edinilson Apolinário, diretor de tributos e conteúdo e líder de reforma tributária da Thomson Reuters, falam sobre a adaptação das empresas e sobre os desafios da reforma tributária.
Perguntado sobre como foi a adaptação das empresas neste início de ano com as mudanças nos documentos fiscais, Luciano Idésio afirmou que passaram pela entrada dos documentos eletrônicos em janeiro e fevereiro, meses em que os clientes se adaptaram e aprenderam o novo desenho. Segundo ele, conseguiram passar pela fase de adaptação com proximidade com as empresas para entender os principais desafios, principalmente nos layouts dos documentos municipais, a NFS-e. Ele informou que entregaram o primeiro módulo, de conciliação, e que a contabilização será entregue em maio.
Edinilson Apolinário disse que, no final do ano, montaram o esquadrão da reforma, o que ajudou as empresas a navegarem bem nesse início de ano. Ele afirmou que as empresas foram muito bem na parte de documentos fiscais de mercadorias, conhecimento de transporte e NFC de varejo, que eram documentos mais maduros. Sobre os municípios, ele apontou que muitos deles não definiram se vão para o modelo nacional ou se vão adotar o local, e que muitos deixaram a versão antiga e a nova funcionando, o que permitiu que não houvesse travamento de emissão.
Sobre os novos módulos, Idésio explicou que trabalham para conectar a jornada tributária de uma empresa. Eles possuem um motor de cálculo que busca determinar o tributo, que depois vem para os documentos fiscais eletrônicos. Ele citou duas classes: a emissão da nota fiscal e o recebimento da nota fiscal. A reforma criou a necessidade de um módulo de conciliação, que trabalha no nível do documento fiscal, permitindo auditoria do próprio documento, o que evita erros e facilita o trabalho do gestor fiscal e de uma auditoria futura.
Edinilson complementou que tudo acontece agora em tempo real. Segundo ele, não basta receber uma pré-apuração, é preciso criticá-la, olhando as transações no ERP e nos sistemas internos para saber se vai aceitar ou não aquela informação que o fisco traz, e que isso precisa ser feito diariamente.
Questionados sobre as dificuldades de ter um sistema federal da CBS e um sistema separado do IBS, Edinilson afirmou que o piloto da Receita Federal começou em julho do ano passado e que todo o contexto de apuração assistida é calcado na visão da CBS. No caso do IBS, o piloto começou em janeiro. Ele disse que prepararam a solução para receber as informações ainda que sejam de sistemas diferentes, e que a expectativa é que não haja diferença estrutural, trabalhando com a arquitetura de que a empresa ou o profissional terá a mesma tela.
Sobre a preocupação com parceiros que não estão tão preparados, Idésio informou que fizeram com algumas empresas uma solução em que trabalham a cadeia de fornecimento. Como os produtos são feitos para grandes empresas, eles propuseram para alguns clientes com dificuldade na cadeia replicar a solução, viabilizando isso economicamente.
Perguntados sobre o momento que as empresas estão vivenciando na reforma e as urgências, Edinilson destacou a mudança de chave. Ele disse que saiu o pensamento de monitorar regra, pois as legislações estão postas, e ficou claro o divisor de águas para uma atuação mais prática e operacional, ligada a sistemas e processos. As empresas já estão em outro patamar. Quem já se preparou está olhando para soluções fiscais para navegar no novo modelo de apuração em tempo real. O segundo ponto é um olhar estratégico, avaliando impacto em pricing e contratos, já que os contratos que vencem agora, de médio e longo prazo, precisam ser renovados com o novo modelo.