O ator Pedro Pascal afirmou que aprender a tocar violoncelo para seu novo filme foi a coisa mais difícil que já teve que aprender na carreira. Em entrevista à Vanity Fair, ele disse que a experiência superou os desafios de cenas de ação em produções como Game of Thrones e Gladiador II.
“Segurar um arco corretamente sozinho já leva uma aula de um dia, e isso é rápido”, explicou Pascal. “Isso foi dez vezes mais difícil do que qualquer uma dessas coisas por causa da porcaria do violoncelo. Literalmente a coisa mais difícil, mais difícil, mais difícil que já tive que aprender a fazer. Estar em uma arena de gladiadores ou pendurado em um arnês — essas coisas são fichinha perto de aprender a tocar violoncelo e fazer parecer convincente enquanto você toca Tchaikovsky.”
O filme em questão é Behemoth!, dirigido por Tony Gilroy. A trama acompanha Alex, um violoncelista prodígio que retorna a Los Angeles e entra no mundo da composição de trilhas sonoras de Hollywood após décadas se apresentando pelo país. Pascal assumiu o papel principal depois que o ator Oscar Isaac deixou a produção em agosto passado.
Gilroy, conhecido por Andor e pela franquia Bourne, disse que inicialmente tinha reservas sobre Pascal. “Pensei que ele seria de alguma forma superficial ou volúvel”, admitiu o roteirista e diretor indicado ao Oscar. No entanto, após uma reunião de três horas, a paixão de Pascal o convenceu de que ele poderia dar vida ao personagem.
Para se preparar, Pascal contou com aulas de piano da infância e seu conhecimento como “um grande nerd de cinema”. Seu amor por trilhas sonoras de filmes como Footloose e Flashdance evoluiu para uma admiração por compositores renomados como John Williams e Thomas Newman. “Comecei até a ver filmes dependendo de quem estava compondo a trilha”, disse o ator.
O filme conta com um elenco de apoio que inclui Hank Azaria, Will Arnett, Eva Victor e Olivia Wilde. A produção também inovou ao reunir nove compositores diferentes para criar as partituras dos filmes fictícios dentro da trama. Entre eles estão Michael Abels, Michael Giacchino, James Newton Howard e Alan Silvestri.
Gilroy explicou que a decisão de usar múltiplos compositores foi intencional. “Eu sabia que, como cada peça musical tinha uma função diferente no filme e uma voz diferente, seria um grande erro contratar um único compositor”, disse. Para conseguir reunir tantos artistas, o diretor precisou contornar os agentes e se encontrar pessoalmente com cada um. “No começo foi difícil. No final, tive que recusar pessoas.”
Apesar da inovação, é improvável que a música do filme seja elegível para o Oscar. As regras atuais da Academia permitem que até três compositores sejam creditados para receber troféus individuais. “A resistência sobre nove compositores é: ‘Você nunca pode ser indicado para um Oscar se tiver nove compositores, e está fazendo um filme sobre música de cinema'”, disse Gilroy.