27/03/2026
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Fim do Guangzhou, maior time da China

O Guangzhou FC, fundado em 1954 na cidade chinesa de mesmo nome, era conhecido como “Tigres do Sul da China”. O clube surgiu como uma representação do governo local, uma prática comum no futebol do país. Ele só se tornou profissional 39 anos após sua fundação.

Em sua primeira fase, o time alternou entre promoções e rebaixamentos da primeira para a segunda divisão. A situação piorou em fevereiro de 2010, quando o Guangzhou foi rebaixado como punição por um esquema de manipulação de resultados.

A ação foi parte de uma investigação do Ministério de Segurança Pública da China, que encontrou subornos pagos por funcionários do clube para vencer jogos em 2006. A operação também atingiu outros times e prendeu ex-dirigentes da federação chinesa, um árbitro da Fifa e jogadores da seleção nacional.

Com dirigentes presos e em reformulação, o clube foi colocado à venda. Foi quando surgiu a Evergrande. A gigante do setor imobiliário, com origem na mesma cidade, comprou o time por 100 milhões de yuans (cerca de R$ 25 milhões na época) no início de 2010.

A empresa passou a comandar os investimentos no clube, que foi renomeado para Guangzhou Evergrande. A mente por trás da operação era Xu Jiayin, fundador da Evergrande, que se tornou um dos homens mais ricos da China.

Com um grande aporte financeiro, o clube iniciou uma reformulação. Ainda na segunda divisão, em 2010, contratou estrelas do futebol chinês e o brasileiro Muriqui. O atacante revelou que hesitou no início, mas aceitou após conhecer o projeto de investimentos.

No final daquela temporada, o time foi campeão da segunda divisão e retornou à elite. Nos anos seguintes, o Guangzhou se destacou por contratações de alto perfil do futebol brasileiro e sul-americano.

Passaram pelo clube jogadores como Conca, Lucas Barrios, Paulinho, Elkeson, Alan, Aloísio, Talisca e Ricardo Goulart. Muitos foram atraídos em momentos importantes de suas carreiras.

O time também investiu em treinadores renomados. Foram contratados os campeões mundiais Marcello Lippi, Fabio Cannavaro e Luiz Felipe Scolari. Este último se tornou o técnico mais vencedor da história do clube.

Os resultados em campo vieram. O Guangzhou conquistou oito títulos do Campeonato Chinês (2011-2017 e 2019), duas Ligas dos Campeões da Ásia (2013 e 2015), duas Copas da China e quatro Supercopas.

Em 2020, foi anunciado um projeto ambicioso: a construção de um estádio para 100 mil pessoas em formato de flor de lótus. O custo era estimado em cerca de 12 bilhões de yuans (R$ 8,9 bilhões na época), com inauguração prevista para 2022.

A Evergrande teve um crescimento rápido, mas seu modelo de negócios dependia de muitos empréstimos. A empresa acumulou uma dívida que se tornou insustentável, culminando em uma grave crise financeira a partir de 2021.

A crise da holding impactou diretamente o clube, que dependia de seus recursos. Em entrevista, Luiz Felipe Scolari comentou sobre o ocorrido. “Quando a crise aconteceu na Evergrande, o clube foi muito impactado. Foi uma queda muito grande”, disse o treinador.

Felipão, que viveu o auge do time, também expressou sentimentos contraditórios. “Fico bastante triste, mas foi uma época muito bem vivida… Fico triste pelo que aconteceu com o Guangzhou, mas alegre por ter participado disso tudo”, completou.

Sem o apoio financeiro da empresa em colapso, o Guangzhou Evergrande, outrora chamado de “Chelsea da Ásia”, entrou em declínio. O clube que dominou o futebol chinês na década de 2010 e atraiu grandes nomes internacionais viu seu fim se aproximar com a falência da sua controladora.

O caso do Guangzhou ilustra como o modelo de clube-empresa, dependente de um único grande investidor, pode ser vulnerável. A queda da Evergrande deixou um grande vazio no cenário do futebol chinês, encerrando a era de ouro de um dos seus times mais bem-sucedidos.

Sobre o autor: Editorial Noroeste

Conteúdo elaborado pela equipe do Folha do Noroeste, portal dedicado a trazer notícias e análises abrangentes do Noroeste brasileiro.

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