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Pai de menino retido em acidente com fogo desabafa: “Estou arrasado

O pai de um menino de 12 anos, que está retido na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, em Campo Grande, disse estar arrasado após o filho se envolver em um…

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Por Conteúdos Evergreen 3 min de leitura
Pai de menino retido em acidente com fogo desabafa: "Estou arrasado
Pai do menino de 12 anos dentro da casa onde acidente aconteceu (Foto: Victória Costacurta)

O pai de um menino de 12 anos, que está retido na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, em Campo Grande, disse estar arrasado após o filho se envolver em um acidente que deixou um amigo, de 11 anos, com 80% do corpo queimado. O caso ocorreu no Bairro Vila Popular e a vítima está intubada em estado grave na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Visivelmente abalado e sem dormir, o trabalhador de 34 anos afirmou não saber os motivos da retenção do filho. “Não sei por qual motivo deixaram ele retido. Querendo ou não, foi uma brincadeira e teve um acidente. Eu deixo ele em casa porque já tem 12 anos, mas nunca imaginei que ia acontecer uma coisa dessas. Agora estou arrasado e me preocupo mais com o menino que está internado, porque ele ainda é uma criança”, lamentou.

O pai contou que é divorciado da mãe do garoto e que, no período da manhã, o filho frequenta a escola. À tarde, depois do almoço com ele, a criança fica aos cuidados de uma babá, que também cuida dos irmãos menores. “Na hora do almoço eu vou em casa e depois volto pro trabalho. A babá fica de olho nele, mas não consegue ver toda hora porque cuida de outras crianças também”, relatou.

Ele soube do acidente por ligação de um vizinho, que avisou sobre a presença de quatro viaturas da Polícia Militar em sua porta. De acordo com o boletim de ocorrência, a PM foi acionada para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Mônica, para onde a vítima foi levada por uma vizinha. Antes de ser intubado, o menino de 11 anos disse à assistente social que estava na casa do amigo e que, após uma discussão, o colega teria ateado fogo em seu corpo.

Os policiais foram até a residência e encontraram o garoto de 12 anos sozinho. Ele apresentou outra versão: afirmou que a ideia de brincar com combustível partiu do amigo e que chegou a alertar sobre o perigo. O menino pegou um galão de 5 litros de álcool guardado no armário da cozinha e os dois foram para os fundos do quintal “riscar pedra”. Enquanto a vítima segurava a pedra, o colega despejava o líquido e usou um isqueiro. As chamas atingiram o galão, causando uma explosão que projetou o líquido em chamas contra o corpo do amigo.

Em pânico, o garoto tentou ajudar. A vítima correu para o banheiro e ligou o chuveiro, mas a água do poço artesiano acabou. Os dois foram para a cozinha, onde o amigo encheu vasilhas na torneira da pia para apagar o fogo. O menino trocou de roupa com peças emprestadas e ficou deitado por cerca de 30 minutos. Com dores, saiu à rua para pedir socorro. Coletores de lixo viram o estado da criança e mobilizaram vizinhos, que acionaram transporte por aplicativo para levá-lo à unidade de saúde.

A polícia registrou o caso como abandono de incapaz com resultado de lesão corporal de natureza grave e lesão corporal culposa. Como o garoto de 12 anos foi localizado sozinho e o Conselho Tutelar não tinha conselheiro disponível para ir ao local, os policiais levaram o menino na viatura até o trabalho da mãe e contataram o pai por telefone. O pai disse que ainda busca assistência jurídica para acompanhar o filho na audiência. O caso será analisado pela Vara da Infância e da Juventude, que vai definir medidas socioeducativas ou de proteção. A vítima permanece internada na UTI.

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