O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu investigação para apurar um vazamento de esgoto no Córrego Imbirussu, em Campo Grande. O caso ocorreu no trecho entre os bairros Vila Almeida e Jardim Zé Pereira, onde moradores reclamaram de mau cheiro e relataram a morte de peixes.
O incidente aconteceu em 20 de janeiro de 2025, na altura da Avenida José Barbosa Rodrigues, quando uma tubulação se rompeu e despejou esgoto diretamente no córrego. Nesta segunda-feira (10), a apuração foi convertida em procedimento administrativo na 26ª Promotoria de Justiça da Capital.
Durante uma vistoria, o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) encontrou peixes mortos a 400 metros do local do vazamento. Exames laboratoriais apontaram a presença de coliformes fecais e níveis de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), principal indicador de poluição orgânica em rios, 460% acima do permitido. O índice de fósforo também ficou 685% superior ao limite legal.
Com base nos laudos, o Imasul aplicou uma multa de R$ 50 mil à concessionária Águas Guariroba. O órgão ambiental também exigiu que a empresa apresentasse relatórios de monitoramento e um plano de prevenção contra novos acidentes.
A concessionária recorreu da autuação. Entre os argumentos, a empresa afirmou que o Imasul não teria atribuição legal para aplicar a multa, pois a fiscalização caberia à Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável). A companhia também sustentou que o rompimento ocorreu por força maior, causado por chuvas intensas e erosão no local.
Em nota, a Águas Guariroba explicou que o episódio foi provocado pelo deslizamento de um barranco, que derrubou duas árvores sobre a rede de esgoto. A empresa classificou a ocorrência como “um evento excepcional e alheio ao controle da concessionária”.
A concessionária informou que mobilizou equipes assim que identificou o problema. “Foi realizada a remoção das árvores, desobstrução da área e recomposição da estrutura afetada. O serviço foi concluído no mesmo dia, aproximadamente quatro horas após o início dos trabalhos, com a normalização do sistema de esgotamento sanitário”, afirmou.
Sobre os impactos ambientais, a empresa disse que “análises laboratoriais demonstraram que não houve alteração dos parâmetros ambientais aplicáveis, permanecendo os resultados dentro dos padrões estabelecidos pela legislação vigente”. A Águas Guariroba ainda destacou que mantém ações permanentes de manutenção da infraestrutura de água e esgoto na Capital.
O procedimento no MPMS segue em andamento para inclusão de novos laudos e manifestações dos órgãos envolvidos.
