A China afirmou nesta quinta-feira que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã são a causa principal do bloqueio no Estreito de Ormuz. A declaração foi dada após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que a responsabilidade pela reabertura da via marítima é de todo o mundo.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse em coletiva de imprensa que a raiz do problema são as operações militares ilegais dos dois países contra o Irã. Ela foi questionada sobre os comentários feitos por Trump.
O Irã também respondeu ao discurso do presidente norte-americano. Nesta quinta-feira, dia 2, o país declarou que a guerra vai continuar até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo.
A fala do governo iraniano surgiu após ameaças de Trump. O presidente dos EUA afirmou que Washington atacaria o Irã com extrema força dentro de algumas semanas. Ele declarou que os objetivos militares estão próximos de serem atingidos, mesmo dizendo que o Irã já está essencialmente dizimado.
Em seu pronunciamento, feito na Casa Branca na quarta-feira, 1º, Trump voltou a ameaçar o país, incluindo ataques a usinas de eletricidade caso não haja um acordo.
O presidente norte-americano listou seus objetivos, que seriam destruir a capacidade do Irã de realizar um ataque contra os EUA e impedir que o regime exerça poderio militar fora de seu território. Ele deixou claro que a troca de regime não era o objetivo, mas afirmou que isso ocorreu com a morte dos antigos líderes.
Sobre o Estreito de Ormuz, Trump afirmou que os Estados Unidos não dependem mais do petróleo que passa por ali. Ele disse que o país se tornou o maior produtor de petróleo e gás do mundo e, por isso, não precisa da produção do Oriente Médio.
“Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro”, declarou. Ele sugeriu que os países que dependem da via marítima devem cuidar dela e até comprar petróleo dos EUA.
Trump tem criticado líderes europeus por se recusarem a enviar navios para reabrir o estreito. Na avaliação europeia, o problema foi criado por EUA e Israel, e não compete a eles colocar soldados na região.
Nos Estados Unidos, a guerra é vista como impopular. Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que 60% dos eleitores desaprovam o conflito. Cerca de 66% disseram que os EUA deveriam trabalhar para encerrar rápido seu envolvimento.
Aliados de Trump têm pedido ao governo que apresente uma justificativa mais clara para a guerra, agora em sua quinta semana. A intenção é convencer os eleitores de que o conflito tem prazo limitado e está perto do fim.
Em entrevista à Reuters, Trump expressou descontentamento com a OTAN. Ele criticou a falta de apoio da aliança aos objetivos dos EUA no Irã e disse que está considerando retirar os Estados Unidos da organização.
O presidente acrescentou que, após uma saída rápida do Irã, os militares norte-americanos poderiam retornar para realizar ataques pontuais, se fosse necessário. A situação no Estreito de Ormuz continua a impactar o fluxo global de petróleo e os preços dos combustíveis.

