Notícias

Aplicativo gratuito e anônimo ajuda a identificar abuso antes da agressão

A policial civil Priscila Guimarães, que atua na Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Fé do Sul (SP), criou o aplicativo Be Safe Mulher para ajudar mulheres a identificar relacionamentos abusivos…

Conteúdos Evergreen
Por Conteúdos Evergreen 3 min de leitura
Aplicativo gratuito e anônimo ajuda a identificar abuso antes da agressão
Priscila Guimarães, idealizadora do aplicativo Be Safe Mulher (Foto: Luiz Carlos/RCN67)

A policial civil Priscila Guimarães, que atua na Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Fé do Sul (SP), criou o aplicativo Be Safe Mulher para ajudar mulheres a identificar relacionamentos abusivos antes que a violência física aconteça. A ferramenta funciona como um canal de conscientização e diagnóstico precoce.

Natural de Paranaíba, Priscila é servidora da Polícia Civil de São Paulo e trabalha na delegacia localizada a 18 km da divisa com Mato Grosso do Sul. A vivência no atendimento diário às vítimas motivou a criação da plataforma, que busca identificar comportamentos frequentemente normalizados, como controle exagerado, ameaças, humilhações, perseguição, isolamento e violência psicológica.

“A intenção do aplicativo é chegar à mulher antes mesmo da delegacia, antes da agressão física e antes que a violência chegue a um desfecho mais grave. A informação também é uma forma de proteção”, afirma a idealizadora.

A plataforma foi pensada para ser simples e acessível, usando ilustrações e recursos visuais para explicar os tipos de conduta abusiva. Na prática, a usuária responde a 25 perguntas objetivas com “sim” ou “não” sobre situações do cotidiano. O sistema soma automaticamente os riscos e gera um diagnóstico com o nível de gravidade da relação, de moderado a grave.

Entre as perguntas do teste estão: “Seu parceiro(a) frequentemente grita com você, mesmo por pequenas coisas?”, “Ele já tentou te controlar impedindo você de estudar, trabalhar e realizar outras atividades?” e “Você se sente ‘presa’ ao relacionamento, pois tem medo do que ele pode fazer caso você termine?”.

Se for identificado risco moderado ou grave, a plataforma exibe um botão de emergência 24 horas com canais de apoio como a Central de Atendimento à Mulher (180), Polícia Militar (190), Direitos Humanos (100) e suporte de prevenção ao suicídio.

O aplicativo está hospedado na web, no endereço https://app.defesadamulher.com.br/, e não exige instalação em lojas virtuais. A ferramenta é 100% anônima e a desenvolvedora não tem acesso aos dados pessoais nem aos resultados individuais dos testes. O único indicador monitorado é o volume global de acessos, que já chega a cerca de 600 testes por semana.

Priscila reforça que o aplicativo não substitui o atendimento presencial especializado. “O aplicativo não substitui o trabalho da Polícia, o atendimento psicológico ou o Poder Judiciário. Ele é uma ferramenta de informação e prevenção”, diz.

A proposta para o futuro é expandir o alcance do projeto e aproximá-lo de instituições de ensino, universidades e órgãos públicos especializados no combate à violência de gênero. “Quanto maior for essa rede, maior vai ser a possibilidade de fazer com que a informação chegue justamente a quem precisa. Se a gente conseguir fazer com que uma mulher reconheça os sinais da violência mais cedo e interrompa o ciclo antes que ele se torne mais grave, o projeto já terá cumprido sua missão”, finaliza.

Conteúdos Evergreen

Conteúdos Evergreen

Produzidos pela equipe editorial da Folha do Noroeste, conteúdos evergreen que mantêm valor ao longo do tempo.

Mais textos do autor →