A série Euphoria retornou ao ar neste domingo, dia 12, sendo descrita como descaracterizada e mais vulgar do que em temporadas anteriores. A produção, que se tornou uma das mais influentes nos últimos sete anos, enfrentou turbulências e lançou apenas 18 episódios até agora.
Euphoria elevou vários de seus atores ao estrelato, venceu nove prêmios Emmy e inspirou adolescentes ao redor do mundo. No entanto, sua trajetória difere de outros sucessos da HBO, conhecida por séries longas e prolíficas. O primeiro episódio da nova temporada reflete perdas no elenco e na equipe, uma direção que perdeu características anteriores e reviravoltas consideradas bagunçadas e apelativas.
A trama avança cinco anos após os eventos do final da temporada anterior, exibida em fevereiro de 2022. A personagem Rue, interpretada por Zendaya, agora adulta, ainda lida com o vício e atua como mula de drogas entre Estados Unidos e México para pagar uma dívida. A nova fase da série abandona o tema de amadurecimento adolescente para se tornar uma espécie de faroeste sobre como ganhar dinheiro nos Estados Unidos.
Enquanto Rue navega pelo narcotráfico, Cassie (Sydney Sweeney) planeja uma carreira na plataforma OnlyFans, movida pelo desejo de atenção e por manter um estilo de vida caro ao lado de Nate (Jacob Elordi). Nate, por sua vez, tenta controlar os impulsos da noiva enquanto assume os negócios imobiliários do pai. Outros personagens seguem caminhos mais tradicionais: Lexi (Maude Apatow) tenta brilhar como assistente de direção em Hollywood, e Maddy (Alexa Demie) trabalha com relações públicas. Jules (Hunter Schafer) espera por uma virada em sua carreira artística e se sustenta atendendo às vontades de um homem mais velho.
Os elementos centrais da trama continuam sendo dinheiro, drogas, aparências e sexo, temas já presentes na primeira temporada. Naquela fase, porém, os episódios eram permeados por uma certa magia, visível nos visuais das personagens, nas situações exageradas ou em sequências marcantes como a do episódio Shook Ones Pt. II. O subúrbio fictício parecia um universo próprio para os jovens personagens.
Cinco anos depois, os personagens não habitam mais esse mesmo universo. O escopo da série parece difuso e conduzido por obrigação, como se acompanhar cada integrante do grupo fosse uma regra de jogo e não uma escolha criativa. Onde antes havia encantamento, agora predomina uma vulgaridade pouco surpreendente. Cenas de nudez, escatologia e violência carecem de profundidade e não provocam o impacto que o diretor e roteirista Sam Levinson parece buscar. As personagens perdem a humanidade vista em momentos altos da série, como no episódio pandêmico Fuck Anyone Who’s Not a Sea Blob, focado em uma sessão de terapia de Jules.
O que resta na nova temporada são retratos de gângsteres e prostitutas sob o sol da Califórnia, conectados por observações consideradas rasas sobre fé e capitalismo. A identidade da série se dilui, a ponto de a experiência lembrar uma missão mal executada de um jogo como GTA.
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