O goleiro Carlos Lampe, da seleção da Bolívia, vive um sonho inédito aos 39 anos: a chance de classificar seu país para uma Copa do Mundo. Com 64 jogos pela seleção, ele é o goleiro com mais partidas pela Bolívia e já disputou quatro edições da Copa América.
O país não joga uma Copa do Mundo desde 1994. Para Lampe, nada em sua carreira se compara à oportunidade atual. “Todos estão com muitas expectativas. Minha esposa e minha filha virão (para o México). A verdade é que todos estão com expectativas, com muita animação de cumprir esse sonho”, disse o atleta.
Além da experiência com a seleção, Lampe tem 48 jogos na Libertadores pelo Bolívar, clube que o coloca frequentemente contra equipes brasileiras. Em 2026, seu time está no grupo do Fluminense. Ele brinca sobre o azar nos sorteios. “Se não vinha o Flamengo, vinha o Palmeiras (no sorteio), as duas melhores equipes na atualidade no Brasil”, afirmou.
O goleiro destacou o jogo contra o Flamengo em 2024. “Fizeram o segundo gol no Maracanã no último momento, e na Bolívia vencíamos por 1 a 0 e aí mandamos no travessão, na trave, ou Rossi defendia”, lembrou. Ele também mencionou o fator altitude de La Paz, a mais de 3.600 metros, como uma vantagem explorada pelo Bolívar.
“A verdade é que com o Bolívar levamos vantagem porque somos uma equipe agressiva”, explicou. “Nesses últimos anos só perdemos um jogo em La Paz, contra o Internacional”.
A repescagem e o sonho do Mundial
Suriname e Iraque são os adversários da Bolívia na repescagem para a Copa do Mundo de 2026. Lampe aposta na paixão sul-americana como um trunfo, mas alerta para a dificuldade. “Vejo muito equilíbrio. Porque eles (Suriname) também estão nacionalizando jogadores de primeiro nível”, avaliou.
Ele acredita que a chave é o primeiro jogo. “Mas acredito que para nós, a chave é o primeiro jogo, porque sabemos que fisicamente eles são fortes”, completou o goleiro.
Se passar, a Bolívia pode contar com um nome conhecido: o atacante Marcelo Moreno, que saiu da aposentadoria e busca retornar à seleção. “Conheço o Marcelo, eu conheço a disciplina dele como jogador, ele é um jogador histórico da seleção, do nosso país”, disse Lampe, vendo possibilidade de ele ser convocado.
O técnico Óscar Villegas é apontado como um dos responsáveis pelo resgate da equipe nas Eliminatórias. Assumindo em meados de 2024, ele conduziu a equipe a três vitórias seguidas. A classificação para a repescagem foi consolidada com uma vitória histórica sobre o Brasil, quando Lampe chorou após o apito final.
“Pudemos ganhar no Chile, em uma Data Fifa que foi muito importante para que pudéssemos acreditar que estávamos na briga”, comentou sobre a virada. “Acho que mudou um pouco o ambiente, se tirou a pressão dos garotos, vieram jogadores mais jovens, com muita vontade de triunfar”.
O pensamento atual de Lampe é único: repetir o feito da geração de 1994. “A única coisa que passa em minha cabeça é fechar uma etapa na seleção jogando um Mundial. Acredito que fazer história de verdade, é isso que passa em minha cabeça”, finalizou.
A trajetória do goleiro com o Bolívar na Libertadores também é um capítulo à parte. Além do Fluminense em 2026, ele enfrentou vários outros grandes clubes brasileiros nos últimos anos, como Atlético-MG, Internacional e Athletico-PR. Essa experiência acumulada em partidas de alto nível é vista como um trunfo para os desafios decisivos que estão por vir com a seleção nacional.
