Na casa de Woescley e de Cézar, o kung-fu fortalece a relação entre pais e filhas. Nas duas famílias, a prática esportiva entrou na vida das crianças nos primeiros anos, com incentivo dos patriarcas.
Cézar Luiz Giroletta Júnior, de 39 anos, começou no kung-fu aos 9 anos. Ele conta que o interesse surgiu por causa dos filmes de artes marciais. “Naquela época tinha o Bruce Lee, o ‘Dragão Branco’, com o Van Damme. Eu sempre gostei de artes marciais e sempre me encantei”, diz.
A filha dele, Ana Beatriz Bitencurt Giroletta, de 13 anos, teve contato com a modalidade aos 3 anos. “Quando ela saía da escola, ficava comigo à tarde no açougue em que eu trabalhava. Assim que eu saía, ia treinar e levava ela. Ela treinava, pegou gosto e está até hoje”, explica.
Treinador há 10 anos, Cézar já ajudou a formar atletas que chegaram à Seleção Brasileira. Ele diz que acompanhar a evolução da filha é uma realização. “É um sonho que eu tinha quando era criança. Eu participei de alguns campeonatos, mas não tive tantas oportunidades. Hoje ela compete no taichi externo, já é bicampeã brasileira. A gente se realiza nela, mostrando que ela é capaz, não só no esporte, mas na vida”, afirma.
O kung-fu também apresenta riscos. Cézar passou por cirurgia após uma lesão grave no joelho. Nas competições da filha, a experiência ajuda a lidar com a apreensão. “Com ela, eu sei que pode acontecer alguma coisa, mas a gente já se prepara para evitar lesões graves. Se acontece algo, já vamos verificar. A experiência ajuda”, conta.
Ana Beatriz começou por influência do pai, mas decidiu seguir no esporte após a primeira competição, aos 5 anos. “Eu comecei a competir e vi que queria continuar, que eu gostava”. Ela afirma que o comportamento do pai muda pouco entre casa e treino. “Eu acho muito legal porque posso sempre contar com ele. Treinar juntos é muito bom, sempre aprendo mais”.
Já as irmãs Ana Beatriz, de 17 anos, e Ana Júlia, de 11, filhas de Woescley Bambil, dizem que a cobrança aumenta durante os treinos. “É especial por estarmos sempre juntos, mas é difícil pela cobrança. Às vezes ele exagera e cobra mais da gente do que dos outros alunos, mas entendemos. Sabemos que é porque quer o nosso melhor”, comentam.
Woescley reconhece a mudança de postura. “Na academia sou o professor, mais firme e imparcial. Em casa sou o pai, brincalhão, cuidadoso. Gosto de provocar um pouco, são posturas bem diferentes, e elas entendem isso”. Ele começou nas artes marciais aos 6 anos, enquanto as filhas iniciaram aos 5. “Minhas filhas começaram por interesse delas mesmas. O kung-fu é uma arte que chama muita atenção das crianças”.
As meninas acumulam conquistas. Ana Júlia é campeã estadual. Ana Beatriz soma quatro títulos estaduais, dois brasileiros e um pan-americano, conquistado em 2023. “Nunca forcei nenhuma delas a competir, mas sempre incentivei o treino. Até por serem mulheres, acredito que é importante aprender defesa pessoal. Mas elas gostam de competir”, explica.
Woescley destaca as viagens em família para competições como momentos especiais. “É uma sensação de orgulho. Me sinto realizado em poder passar o que aprendi para elas, como era antigamente, quando o kung-fu era transmitido de geração em geração, de pais para filhos”, conclui.
