Enquanto o Dia das Mães costuma levar as famílias aos restaurantes, o Dia dos Pais em Mato Grosso do Sul é marcado pela tradição do churrasco em casa. A procura por carnes aumenta, os açougues ficam cheios e as vendas do setor crescem. Nos restaurantes, o movimento é inverso, com mais clientes em maio do que em agosto.
O açougueiro Carlos de Brito, que trabalha há três anos na casa de carnes Mão de Vaca, na Rua 14 de Julho, afirma que a expectativa para este Dia dos Pais é melhor que a do Dia das Mães. “No Dia das Mães, por causa do frio e da chuva, não foi tão bom. A nossa expectativa é que o Dia dos Pais seja melhor. Todo mundo quer fazer churrasco, é um agregado maior, a quantidade vem maior, trabalhamos com mais produtos”, explicou.
As encomendas começaram dias antes da data. Na quinta-feira (6), ele já tinha reservado picanha, maminha e ponta de costela. “Já tinha a média de 50 peças encomendadas”. Para atender à demanda, o açougue reforça o estoque. “Fazemos o pedido do dobro de peças, uma média de 12 vacas para trabalhar no Dia dos Pais. No Dia das Mães pegamos 12 também, mas vendemos pouco”, disse.
Na avaliação de Carlos, a diferença entre as datas está ligada ao papel das mães nas comemorações. “Geralmente no Dia dos Pais, a mãe está na cozinha. No Dia das Mães, o filho não quer que a mãe vá para a cozinha”, comentou. A mesma percepção é compartilhada por Jaime do Nascimento, proprietário de um açougue no Bairro Tiradentes. Para ele, o Dia dos Pais é a melhor data para o segmento. “É sempre maior o movimento. Os pais vêm comprar para fazer churrasco, e as mães vão para o restaurante. Para nós, o Dia dos Pais é melhor”, afirmou.
Nos restaurantes, o cenário é outro. Gabriel Henrique Cassaro, proprietário do Pira Restaurante, diz que o Dia das Mães continua sendo uma das principais datas do ano. “O nosso Dia das Mães sempre foi mais movimentado, o pessoal sai mais para comer. No Dia dos Pais, a gente tem um movimento legal, só que não é igual. Os dois melhores dias do ano para nós são o Dia das Mães e a Sexta-feira Santa”, contou. A diferença também aparece na compra de insumos. “No Dia das Mães, compro o dobro do que em domingos normais. No Dia dos Pais, a compra aumenta 50% mais ou menos”, exemplificou.
Entre os consumidores, a tradição do churrasco também prevalece. A técnica de enfermagem Evelyn Carvalho, de 27 anos, conta que a comemoração do Dia dos Pais já está marcada, embora ocorra alguns dias depois da data por causa da rotina de trabalho da família. “Só eu e minha irmã, minha mãe, meu pai e minhas filhas. Quem faz o churrasco, às vezes é meu pai, às vezes meu esposo. No Dia das Mães também é churrasco, geralmente sempre junta para fazer almoço, bem raro juntar para sair”. Já a manicure Ione de Freitas, de 56 anos e mãe de cinco filhos, diz que a família segue tradições diferentes para cada data. “No Dia das Mães, nós fomos almoçar fora. No Dia dos Pais, geralmente a gente vai para a casa da minha sogra para comer churrasco”, pontuou. Ela acredita que a escolha está ligada ao desejo de aliviar a rotina das mães. “Eu creio que, por questão das mães estarem sempre dentro de casa, sempre fazendo almoço, eles preferem levar para dar uma aliviada para a mãe”, disse aos risos.
Segundo levantamento do IPF/MS (Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS), em parceria com o Sebrae/MS, o Dia dos Pais deve movimentar cerca de R$ 339,22 milhões na economia sul-mato-grossense, somando gastos com presentes e comemorações. O valor representa crescimento de 8% em relação ao ano anterior. Desse total, R$ 153,41 milhões devem ser destinados à compra de presentes e R$ 185,80 milhões às comemorações. Já o Dia das Mães apresentou uma expectativa ainda maior de movimentação econômica. A projeção para 2026 foi de aproximadamente R$ 452,6 milhões, sendo R$ 234,73 milhões para presentes e R$ 217,85 milhões para comemorações, reforçando a força da data para o comércio e, especialmente, para o setor de alimentação fora do lar.
