Segunda, 09 de Outubro de 2017 às 13:02
Operação Três Capões fecha rinha de galo em Palmeira das Missões
Estrutura do galpão destinado à prática chamou a atenção dos profissionais que participaram da operação, além da crueldade a que os animais eram submetidos
Por: Cristiane Luza - cristiane.luza@folhadonoroeste.com.br
Foram identificadas 147 pessoas no local. FOTOS - 39º BPM

Deflagrada no último sábado em Palmeira das Missões, a Operação Três Capões desmantelou uma rinha de galo na zona rural do município e identificou 147 pessoas que foram flagradas em um galpão chamado "Arena Três Capões", vindas de cidades como Pelotas, Soledade e até de Santa Catarina. A ação envolveu 59 policiais, entre eles profissionais da Polícia Civil, da Brigada Militar e da Polícia Ambiental, além do Ministério Público. Os 88 galos apreendidos estão sob responsabilidade de um médico-veterinário.

Em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira, no auditório do MP de Palmeira das Missões, o promotor de Justiça Marcos Rauber ressaltou que o objetivo é desestimular a prática, considerada danosa ao meio ambiente por submeter os animais a situações de crueldade. "Embora por muitos seja considerada uma atividade tradicional, para alguns até cultural, [...] o fato é que há pelo menos 20 anos é crime ambiental, portanto é atividade ilícita e nós não podemos tolerar, muito menos quando é realizada de uma forma tão organizada como nós tivemos informações", frisou.

No total, 56 pessoas respondem a Termo Circunstanciado por maus tratos a animais, previsto no Artigo 32 da Lei dos Crimes Ambientais, 89 respondem como autores do fato, dois por posse de entorpecentes e um por corrupção de menor por ter levado o filho adolescente ao evento, que segundo a investigação, seria comemorativo ao aniversário de um vereador do município, apontado como organizador.

Além de multa, a pena prevista para quem pratica crueldade contra animais é de três meses a um ano de detenção, que pode ser aumentada de um sexto a um terço caso resulte em morte dos bichos.

Estrutura de arena

Foram apreendidos em torno de R$ 100 mil em dinheiro e grande quantidade de materiais característicos, como medicamentos, esporas, biqueiras, pulseiras para participantes, balanças para pesagem dos animais, camisetas e até bonés que indicam um planejamento para a rinha de galo, portanto, tipificam o crime de associação criminosa previsto no Código Penal, comentou o promotor de Justiça.

Chamaram a atenção das polícias e do Ministério Público, a estrutura da rinha de galo e a quantidade de participantes. "Não era um evento pequeno. Era um galpão em que estava organizado um setor de copa individual, banheiros, uma arena pequena em um canto da propriedade e uma arena maior onde estavam as pessoas sentadas quando chegamos. Essa arena maior estava centralizada no chão, em volta tinha cadeiras com estofamento improvisado, com identificação, possivelmente apostadores ou criadores. Tinha até arquibancada. Era como se fosse realmente uma arena. Pelas pulseiras, as pessoas pagavam valor x para ingressar nesse galpão. [...] Outro compartimento tinha gaiolas de madeira, bancada de apostas com quadro indicativo dos apostadores, com valores, e possivelmente identificação dos animais. Lá encontramos também bonés e camisetas que são um desaforo, dizem "criamos por amor, e eles brigam por instinto". Como se as pessoas não fomentassem os animais para que ocorresse essa gravidade. Temos fotos de animais sangrando, em carne viva. Encontramos um galo com a espora serrada, estava quase sem penas, com biqueira e uma espora improvisada presa com um esparadrapo", revelou a delegada Cristiane Riel, que disse que a situação chocou a todos quase ao fim da operação, encerrada depois da meia-noite de domingo.

O comandante do 39º Batalhão de Polícia Militar, major Romulo Serafini, comentou que o atrevimento dos participantes ficou evidente. "Essa arena não foi montada só para esse evento. Esse caso do galo, ele foi mutilado. Estava sangrando 0h30, esse bicho ficou agonizando quanto tempo?", destacou.

Abate humanitário

Segundo o promotor de Justiça, o destino estudado para os galos é o abate humanitário, com base em pareceres técnicos. "Não queremos que esses animais voltem para as mãos dessas pessoas. Há um movimento dessas pessoas no sentido de buscar a recuperação da posse desses animais. O encaminhamento para a escola agrícola, por exemplo, não se mostrou viável porque não tínhamos lá condições de segurança para a custódia desses galos. Eles não podem ser soltos juntos no pátio porque se agridem. Nós não identificamos por enquanto criador idôneo para a custódia desses animais e temos convicção de que se forem oferecidos para adoção, de alguma maneira, serão recuperados pelas pessoas que foram alvo dessa operação", explicou sobre o porquê do abate humanitário.

O apelo das autoridades é para que a população denuncie casos de maus tratos a animais e repasse informações que possam ser úteis para que os responsáveis sejam punidos.

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