Terça, 13 de Junho de 2017 às 16:50
Existe sexualidade na infância?
Se na vida adulta a sexualidade é muitas vezes tratada de forma pejorativa, maliciosa e erotizada, na infância está ligada à curiosidade, conhecimento e descobertas
Por: Heloise Santi saude@folhadonoroeste.com.br
Dentre as dicas, tratar com naturalidade sem sexualidade é uma das mais importantes - Banco de imagens

Em nossa sociedade a sexualidade é muitas vezes é tratada como um tabu e por isso tendemos a não conversar com as crianças sobre estes assuntos. Entretanto a sexualidade é um ponto muito importante na vida de qualquer pessoa. Devemos respeitar a fase do desenvolvimento da criança tratando a sexualidade como algo natural.

– Desde que o bebê o nasce ele esta desenvolvendo sua sexualidade, primeiramente pelo contato com mãe através do toque, da amamentação e depois a partir da relação com o pai e outros cuidadores. Nos primeiros dois anos de vida a criança concentra seu prazer na fase oral, é por isso que os bebês levam todos os objetos à boca. Desta forma eles estão reconhecendo o mundo e descobrindo sensações e emoções. É através do contato oral que ele terá as primeiras experiências de prazer e desprazer – explicou a psicóloga Gisela dos Santos Castelli, que atua no Centro de Atendimento Psicológico e Psicopedagógico em Frederico Westphalen.

Por volta dos 2 a 3 anos normalmente se inicia o desfralde, que é um importante marco no desenvolvimento infantil. “Esta fase concentra o prazer no controle dos esfíncteres, e por isso que nesta etapa a transição das fraldas para o penico ou vaso sanitário é muito importante e se feita de forma equivocada, sem respeitar o tempo da criança pode gerar problemas” completou a também psicóloga do Centro de Atendimento Psicológico e Psicopedagógico, Mariana Alievi Mari.

A partir dos 3 anos a criança já reconhece a diferença de gêneros (menino X menina) e já se identifica mais com o pai ou com a mãe. Nesta fase frequentemente podemos observar a criança brincando no banho com as genitálias ou se interessando em se limpar sozinha após ir ao banheiro. Essas são algumas situações em que ela pode estar experimentando sensações agradáveis e consequentemente prazerosas. Veja bem, isso não pode ser tratado como algo feio ou inapropriado, pois faz parte do processo de desenvolvimento da sexualidade que precisa ser tratado como natural.

– Quando observarmos de forma muito frequente estes comportamentos é importante conversar sobre isso, dizendo à criança que entendemos que ela tem uma sensação prazerosa e por isso “brinca” mexendo nas genitálias, mas que é preciso ter cuidado para que não se machuque – salientou Mariana.

Provavelmente esses comportamentos terão mais intensidade em alguns momentos e depois irão passar, pois a criança irá concentrar suas sensações prazerosas em outras partes do seu corpo ou de forma diferente.

Quando e como falar com as crianças sobre sexualidade?

Perguntas sobre como nascem os bebês, as diferenças entre meninos e meninas passam a fazer parte do dia a dia de pais de crianças a partir dos 4 anos.

É exatamente nesta hora que os pais e familiares começam a ter dúvidas sobre o que e como falar com as crianças sobre estes assuntos. “O mais importante é lembrar que a infância é um período de descobertas e recheada de fantasias. Por isso não responder, falar qualquer coisa para despistar ou contar uma estória recheada de invenções não é uma boa estratégia” disse Gisela.

O ideal é que o assunto surja a partir da curiosidade da própria criança, neste momento os pais podem utilizar materiais como livrinhos infantis que ajudam a explicar, por exemplo, o que é a gravidez, por onde os bebês nascem, porque as meninas tem “pepeca” e os meninos “pinto” e tantas outras curiosidades que podem surgir.

– A maneira como são abordadas as dúvidas, as descobertas, as reações e as interpretações da sexualidade, já nos anos iniciais da vida, influenciarão como esse tema será tratado e sentido nos anos posteriores – salienta Mariana.

Criança não namora, nem de brincadeira!

Este slogan faz parte de uma campanha que foi lançada no dia 5 de abril deste ano pela Secretaria de Assistência Social do Amazonas e tem como objetivo discutir a erotização precoce das crianças e o combate a exploração infantil, mobilizando escolas, famílias e comunidade em geral.

Para as profissionais do Centro de Atendimento Psicológico e Psicopedagógico os comportamentos da criança são reproduzidos a partir das experiências que ela vivencia em casa e nas relações com pessoas próximas, por isso sem perceber os adultos acabam erotizando as crianças quando começam a falar sobre “namoradinha”, “beijinhos”, etc. “Essas campanhas são importantes para a conscientização de que não devemos pular etapas do desenvolvimento infantil. Antecipar essas sensações e etapas causará grande angústia para os pequenos” ponderou Mariana.

– Para a criança brincar com o colega, gostar da Maria ou do João, não significa algo erótico, significa afeto, significa troca de experiências, significa que a criança esta descobrindo o mundo e quanto mais natural e divertido forem estas descobertas menos riscos teremos das nossas crianças sofrerem abusos sexuais ou traumas oriundos da sexualidade – finalizou Gisela.

Embora pelo senso comum a sexualidade se confunda com o erotismo, a genitalidade e as relações sexuais, o fato é que esse campo do desenvolvimento humano pode ser entendido num sentido mais amplo e deve incluir a conscientização sobre o próprio corpo e a forma de se relacionar amorosamente.

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