Sexta, 16 de Dezembro de 2016 às 10:08
Na cor da natureza
Erva-mate produzida em Seberi segue as tradições antigas, com preservação do meio ambiente e sem uso de agrotóxicos
Por: Almir Felin - rural@folhadonoroeste.com.br
Erva-mate agroecológica produzida em Seberi já chegou a a ser consumida na Alemanha (Foto - Almir Felin)

 

Uma cultura que é mantida há mais de 150 anos é tida como exemplo para outros agricultores no município de Seberi. Quando os avós de Vilson Gehn introduziram os primeiros pés de erva-mate de barbaquá na linha Pires não imaginavam que a atividade seguiria por tanto tempo. Porém, a família manteve a tradição e hoje na propriedade de 13 hectares são cultivados 5 hectares de erva-mate. Com a atividade, o casal Vilson e Salete conseguiu manter dois dos três filhos em casa, trabalhando na propriedade, além de mais duas famílias que conseguem obter renda com essa produção.

E todo esse processo é realizado de forma natural, aliado à criação de animais e outras plantas e preservando as tradições de antigamente. A matéria-prima colhida da mata passa por vários processos, como corte, sapeco, secagem (dura em média três dias), cancheamento (trituração das folhas), moagem, mistura até ser empacotada para a comercialização.

– A erva-mate tem um consumo muito grande e a que é produzida aqui é limpa, sem produtos químicos. Além disso, conseguiram chegar ao ápice de um sistema agroflorestal e que temos utilizado como modelo para outras propriedades, trazendo também outros agricultores para conhecer esse trabalho –, disse a membro da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) de Seberi, Debora Varoli.

Um dos filhos de Vilson, Tiago Gehm conta que é feito um equilíbrio para ter produção o ano todo, como a poda das árvores. “A erva-mate que produzimos aqui tem um sabor próprio, devido ao processo de fabricação e características do local. Temos uma preocupação muito grande com a qualidade do produto. Na propriedade não é aplicado nenhum tipo de agrotóxico e o processo de secagem ajuda a originar uma boa erva-mate”, afirmou.

Após muita luta, a certificação

Foram anos de muito empenho por parte do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) para obter junto ao Ministério da Agricultura o selo Ecovida, o qual certifica a produção agroecológica. O certificado tem validade de um ano e permite a troca de conhecimento e experiências, bem como a conscientização para o uso de práticas sustentáveis.

– A certificação é muito importante porque coroa um trabalho que as famílias fazem há anos. Esse processo sempre foi muito penoso, até chegar no selo de reconhecimento, em virtude de toda a burocracia que há. Encaramos esse desafio e estávamos nessa luta há um ano. Os produtos que saem dessas propriedades dão segurança aos consumidores de que estão ingerindo alimentos limpos, sem agrotóxicos e com respeito à natureza –, ressaltou Varoli.

Este é o reconhecimento do trabalho que vem sendo feito há bastante tempo, conforme afirma Tiago. “Buscamos agora a legalização para podermos vender a produção sem as barreiras da vigilância sanitária, um processo legal em todos os aspectos, mas preservando a maneira de produção”, concluiu.

Atualmente a família Gehm comercializa a maior parte da produção na própria propriedade. No entanto, essa erva-mate já atravessou fronteiras, chegando inclusive a países como Alemanha e Estados Unidos.

 

 

 

 

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