A AMIZADE VERDADEIRA (I)
Sexta, 04 de Agosto de 2017

Prezados leitores desta coluna neste nosso prestigiado jornal, na coluna desta semana, quero compartilhar com vocês as definições de amizade feitas pelo meu amigo e colega de profissão na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, o professor Gilmar de Azevedo, por considerar sua constatação muito importante para nossa reflexão conjunta.

O professor Gilmar começa a tratar do assunto fazendo o seguinte questionamento: “Você realmente tem amigos?” O que é necessário saber e fazer para ter bons amigos? Quantos são os nossos amigos leais? Vale a pena ainda ter amigos? E após, salienta que essas e outras perguntas presentes em nossa vida cotidiana já foram abordadas por pensadores em outras épocas.

Isso porque, segundo ele, a amizade verdadeira requer alguns ingredientes e é muito rara, indicando que a epocalidade atual não é muita propícia ao desenvolvimento e busca da amizade sadia e verdadeira. Conforme o professor, na visão de Aristóteles, filósofo grego, existe pelo menos três formas de amizade: a centrada na utilidade, no prazer e na bondade.

Assim, as pessoas que buscam a amizade em função da utilidade visam reciprocamente a algum bem imediato, como riquezas ou honras. São essencialmente pragmáticos e utilitaristas. Organizam suas amizades não em vista do fim em si mesmo, mas como meio de adquirir vantagens. Por isso, a maioria dos homens, devido à ambição, prefere ser amado a amar, ser adulado do que adular.

Devido a essa condição, essa forma de amizade é simples, efêmera e se desfaz facilmente, pois está estruturada em motivações interesseiras, sem consistência de bondade porque os que são amigos por causa da utilidade separam-se quando cessa a vantagem, uma vez que não estimam um ao outro, mas apenas o que é vantajoso. Ela é própria de homens com espírito mercantil, que mantém relações de trocas de produtos e subsiste enquanto há vantagem.

Atualmente, devido à organização do trabalho e das relações sociais pautadas no lucro, na troca, predomina essa forma de amizade. Na nossa epocalidade histórica, estruturada em torno das coisas, as pessoas passam a ser proprietárias de si mesmas e das coisas, ou seja, as pessoas travam “amizades” em torno dos interesses mercantis, baseando-se no mundo dos negócios. Praticamente, toda vida humana gira em torno dessa postura pragmática. O outro é visto como um ser objetivado, passível de interesses econômicos.
Seguirei tratando do assunto na próxima coluna.

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