Resiliência x Paciência
Sexta, 23 de Dezembro de 2016

Eu costumo dizer que o sacrifício é temporário, mas a recompensa é para sempre!

Quando estamos muito próximos daquilo que identificamos como sucesso, não é raro pararmos por falta de resiliência.

As empresas, através de suas lideranças, devem erguer suas muralhas energéticas para que estas se tornem fortes, suportem o assédio dos concorrentes e os fatores que geram as adversidades em seu ramo de atuação. Terão também de manter equilíbrio suficiente para lidar com a carga tributária do país e a complicada arte de entender cada um dos liderados conforme seus valores, crenças, vicissitudes e expectativas de carreira.

Na vida em família, algumas pessoas confundem resiliência com paciência e esta involuntária confusão pode ser a causa do rompimento entre casais ou do enorme precipício nas relações entre pais e filhos.

A paciência é imprescindível no exercício de suportar o comportamento e as escolhas de outras pessoas, mas insuficiente para gerar equilíbrio quando o assunto é paciência de nós para nós mesmos. Também é muito bom sermos pacientes nas situações onde já demos o melhor de nós e haveremos de esperar, querendo ou não, que as coisas se encarreguem sozinhas a partir dali.

A resiliência é uma qualidade diferente, ligada à força e à capacidade humana de cair e se reerguer quantas vezes forem necessárias, sem sucumbir ao desânimo, à frustração e à tentadora vontade de desistir.

– “Tenha paciência, não deu certo desta vez!” –. Errado, esta tentativa de ajudar só vai afundar a pessoa de vez na tristeza.

– “Tenha resiliência e entenda que vai dar certo na próxima vez” –. Correto, desta forma a pessoa entende que é importante “transformar-se em barra de ferro, que não enverga”.
Como diz Agato (2016), a humanidade está atrasada no mínimo um milênio. Falta respeito cultural, ecológico, social, filosófico e religioso, simplesmente porque houve resiliência em sobra e atitudes em falta.

“– Quantas vezes eu tentei falar que no mundo não há mais lugar pra quem toma decisões na vida sem pensar…”-, Gal Costa disse isso na canção composta pelo rei Roberto Carlos em 1969. Repare que Roberto teve resiliência de sobra para entender que esta canção, em particular, fez mais sucesso com a Gal e as palavras cabem como uma luva nesta linha de raciocínio.

O momento é de reflexão e ainda o será nas próximas décadas comandadas pelas gerações A e B, que terão de se preocupar com o seguinte:

A luta maior será para quebrar as crenças e os dogmas de que as pessoas têm “pouco tempo” para investir em si mesmas, mostrando-lhes que o dia tem 24 horas para todo o planeta? Ou a luta maior será para demonstrar o alto preço que pagarão para serem felizes, de acordo com o mais amplo conceito da plenitude?

Se você usa a resiliência como sentimento primordial para crescer e evoluir, mas permite que a arrogância sobrepuja esta tão importante qualidade, de pouco adiantou tê-la consigo.

Nós devemos mudar para o mundo, antes mesmo que ele se apresente transformado para nós, segundo o que acreditamos. A única diferença é que o mundo não nos culpa por nossa inércia, mas nós o culpamos por sua aceleração constante.

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