Talvez sob clima inóspito e ambiente desfavorável se desenvolvam as flores mais belas
Quinta, 12 de Outubro de 2017

Ouvindo Neil Young - Hey Hey, My My


Já faz tempo, muito tempo mesmo, que penso nisso, e quando mulher trança os cabelos em plena fase de pertencimento, onde muitas das dúvidas já foram sanadas, algumas na intensidade de uma vida batalhada, então olho pela janela, no brilho do olho, onde estão guardadas cenas de olhar para estrela e perguntar, será que tenho forças? Tem, a resposta faz tempo que veio, na borda de lua, no querer dividir taça bojuda, com rubi que borda o lábio e deixa assim dormente.

Existe tal flor, é a rosa do deserto, é um espécime belíssimo que se encontra em terrenos áridos. Reza a lenda que a rosa é um presente divino para mostrar que mesmo quando estamos perdidos em pleno deserto, podemos florir. Numa analogia que a beleza se encontra dentro de cada um de nosotros.

Nas batalhas que se vive na vida, canta uma canção, onde o remanso das águas está assegurado para quem tem bom combate.

Quem pensa que o acaso é algo à toa lembro que não existem acasos, existem sincronias, enormes fluxos de energia que movem o mundo, onde a gentileza faz ninho, e sabemos que o peito ainda bate de forma diversa, talvez seja a primavera, é uma estação que separa o inverno do verão, onde o colorido predomina e o contraste também.

Regresso a respiração, que fica presa, talvez com a passagem do vento do outono fique livre, e livre é algo que o pertencimento ensina. Nestes tempos de sonegação de valores conquistados, nesta época de mentiras deslavadas, quem faz o bom combate por um mundo melhor sabe do que falo, a rosa do deserto é um símbolo de resistência, de tenacidade, de luta e assim mesmo ela brilha como poucas.

Saber guardar a seiva, a água que vez em quando insiste em brotar no canto do olho, relaxa, a vela precisa estar solta para “pegar o vento” e empurrar o barco.

É como o sorriso que sempre esconde certas dores internas, mas que de tão singelo guarda a força enorme do brilho de estrelas, que é o que tens aí dentro.

Enquanto existe dúvida, a fé resolve o cuidado com os teus, com tua luta, dispensa fala, talvez a tenacidade e o brilho no olhar, a forma ajustada e a certeza do valor. Traga mais, solta a vela, deixa o vento lamber os cordéis, os cabos de amarração, sinta o quente sopro que no deserto também é vida, e sinal.

Tem quem não perceba, mas tem quem te encontra, mesmo entre as estrelas que fazem espelho no teu olhar.
 

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