Perspectivas para o agronegócio
Sexta, 29 de Setembro de 2017

Numa região em que a agricultura e a pecuária são a base da economia, é natural a expectativa sobre os fatores que influenciam a produção e a rentabilidade das atividades. Assim, entramos na primavera assistindo ao bom estabelecimento e desenvolvimento da cultura do milho, do fumo, do feijão, das pastagens e a brotação e floração das frutíferas. As condições climáticas estão favoráveis a pesar das temperaturas estarem acima da média para a época. Parece que daquilo que depende do produtor ou dos fatores climáticos até o momento está favorável para mais uma ótima produção. Contudo, as condições de preço continuam insatisfatórias. Os preços continuam baixos para a soja, para o milho e para o leite. Os mercados internacionais estão aquecidos, no entanto, operam com preços estáveis, muito em função da boa safra norte americana que se vislumbra. A cultura do trigo também vem completando a maturação e em muitas lavouras a colheita se efetiva. Já é anunciado que teremos no Rio Grande do Sul uma produção 28% menor do que a de 2016 em função da redução da área de cultivo. Os preços, para este cereal, não devem reagir porque o trigo argentino, que é colhido em dezembro, tem melhor qualidade e menor custo, sendo a preferência pela indústria nacional. Além disso, a triticultura brasileira sofre a influência direta da produção internacional onde importamos também dos EUA, Canadá, Paraguai e Uruguai. O mercado internacional está abarrotado de trigo, sendo a Rússia produtora de aproximadamente 78 milhões de toneladas. Isto indica que vamos comer pão com a farinha do trigo argentina por muito tempo, pois com a Rússia tomando os mercados do país vizinho, este terá que caprichar nos preços para ter supremacia no mercado brasileiro. Parece que as culturas de inverno, onde o trigo poderia ocupar as áreas e ser uma opção de cultivo e de renda, ficam cada vez mais distantes. Não é só os preços dos produtos que angustiam os produtores, mas também as previsões climáticas. O anúncio desta semana para chuvas abaixo da média para os meses de novembro e dezembro para o sul do Brasil pode prejudicar a semeadura e o estabelecimento da cultura da soja. Além disso, pode prejudicar a cultura do milho, principalmente para aquelas áreas que foram semeadas no mês de setembro. As pastagens cultivadas também poderão ser atingidas se a estiagem se confirmar com reflexos negativos na produção de leite. Por falar em produção de leite, parece que o preço deste produto não reage e vem com valores em queda livre nos últimos meses. O anúncio de uma boa produção da Nova Zelândia, que é um dos grandes exportadores, da grande produção global e do baixo consumo nacional vêm contribuindo para a situação desestimulante do setor. Parece que enquanto a crise política e econômica que assola o país não se reverter, o mercado permanecerá reticente e, com isso, o produtor ficará prejudicado na remuneração do produto. Uma das saídas para os pequenos produtores se manterem na atividade é fortalecer as instituições como os sindicatos, as associações e as cooperativas. Pequenos e isolados não há perspectivas de viabilidade econômica.

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