Sem contraste, sem sentido!
Quinta, 12 de Outubro de 2017

Bom dia, mui amados leitores! Após a bela e importante Feira do Livro de Frederico Westphalen ocorrida na semana passada, evento que sempre vem acompanhado de nobres e iluminados escritores, famosos e experenciados como Luiz Coronel, pratas da casa como o tradicional historiador Wilson Ferigollo e o jovem poeta Rudimar, que agora abraça o mundo encantado infantil, mas também é palco para novos escritores que mergulham na coragem interior para fazer emergir, na infinita brancura das páginas da imaginação, suas aventuras marcadas na história pela simbólica grafia da tintura preta. Refiro-me ao novo escritor Genesio Mario da Rosa (professor doutor em agronomia da UFSM/Campus-FW), com quem divido esta coluna para presentear os leitores com um de seus brilhantes textos: Sem contraste, sem sentido. “O branco e o preto em contraste. Por vezes até entram em conflito. Não por essência, mas por mau uso de seus atributos. O preto, despretensioso, deixa marcas no branco e o branco, se valendo de sua palidez, passa a ter valor com as pretas marcas. O branco até tenta limitar a atuação do preto. Mas o preto é impetuoso e não é tão formal quanto o branco e se permite sair até mesmo fora dos limites que o branco tenta impor. Não por ser carrancudo ou intransigente, mas por ter surgido com limites predefinidos. O preto não, ele é livre, deixa-se livre ao pensamento, a imaginação e muitas vezes ao acaso. O branco muitas vezes se orgulha de conter o preto. O preto por vezes se orgulha em dar sentido à existência do branco. No fundo os dois sabem que um é o sentido de existir do outro. Se completam. Juntos são formais, juntos são a expressão da criatividade, juntos transpassam gerações, juntos são fonte de alegria, juntos definem destinos, traçam sentenças. Perpetuam a obra de uma vida. Juntos registram a própria vida. Sua essência. Já passaram por transformações, o branco não era tão branco, o preto nem sempre foi ou é simplesmente preto. O que os une, independente do tom, é o seu contraste. Se o branco assumir ser totalmente preto, o preto obrigatoriamente terá de se tornar branco. Nunca da mesma cor, do mesmo tom. O contrate os faz ser fortes. Preto e branco, branco e preto ultrapassando gerações sendo homenageados e, por vezes, criminalizados e, até mesmo, queimados em praça pública. Os de mais idade muitas vezes os referenciam, pois juntos contêm o conhecimento. Os mais novos muitas vezes se encantam sem entender o sentido dessa união e até maltratam o branco, batem nele com o preto até, muitas vezes, inutilizam os dois. Mas com o passar do tempo: o branco e o preto tornam-se tão importantes na vida que até uma nova história poderá ser escrita. Uma história do presente, do passado ou do futuro. Mas sempre será valendo-se do contraste entre o branco e o preto. O preto que desliza no branco deixando suas marcas na forma de traços, letras, símbolos e números e o banco que as acolhe, as armazena e perpetua esses traços, letras, símbolos e números. O banco se propõe a sofrer os impactos dos que querem saber o que o preto, em símbolos perpetuados no branco, tem como essência em seus segredos, antes escondidos e que quando o preto e o branco em contraste se unem revelam até o caráter de nossa humanidade ou desumanidade. Esse é o livro que formado de folhas brancas não tem sentido sem o preto da grafia”. Por Genesio Mario da Rosa. Tenham uma ótima semana e que Deus ilumine vossas mentes e corações!

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