Alergia alimentar - parte 2
Sexta, 29 de Setembro de 2017

Quando se fala em alergia alimentar é importante analisar a história genética da pessoa: 80% das crianças com ambos os pais alérgicos desenvolvem alergia. Esse número cai para 40% quando apenas um pai tem a alergia e menos de 10% quando não houver a predisposição genética.

Manifestações alérgicas podem ser de dois tipos, aguda ou crônica. A manifestação aguda acontece logo após ingerir o alimento e dura até 2 horas. Pode haver ainda uma persistência do mesmo por 24 horas, sendo chamada de pós-aguda. Quando a manifestação se mantém através dos dias, passa a ser chamada de crônica.

Outro aspecto diz respeito à predominância segundo a idade. As manifestações digestivas iniciam logo após o nascimento e aumentam até os 3 anos de idade havendo uma redução gradativa. Crianças nascidas por cesariana são mais vulneráveis. Aos 5 anos, apenas 5% dos pacientes permanecem sintomáticos. As manifestações cutâneas, que iniciam após o nascimento, permanecem ativas até os 15 anos. A asma começa aos 3 anos e permanece ativa pelo resto da vida, enquanto a rinite alérgica inicia aos 8 anos e mantém-se ao longo da vida.

No aparelho digestivo, a primeira manifestação é o imediato inchaço dos lábios e da boca logo após a ingestão do alérgeno. Muito comum em crianças, sendo que o diagnóstico é feito normalmente pelas mães que veem as manifestações alérgicas repetidas em seus filhos. Essa manifestação pode se estender ao esôfago e ao resto do aparelho digestivo e reaparece quando aquele alimento é ingerido.

A esofagite por refluxo é reconhecida há um século e seu tratamento tornou-se muito eficiente após 1980, com uso de novos medicamentos. Há 30 anos têm sido relatados casos de esofagite que não melhoram com os medicamentos, principalmente em crianças. Mais frequentes em crianças, são de natureza alérgica. Classificam-se em esofagites alérgicas, agudas e de fácil resolução e esofagite eosinofílica, de difícil tratamento. As esofagites de origem alérgica têm forte fator genético, sendo que pai ou mãe costumam exibir história semelhante.

A gastrite e enterocolite alérgica são semelhantes à esofagite. Surgem com a ingestão do alérgeno e têm forte fator genético. É mais comum na infância e diminui com o avançar da idade. Seus sintomas se confundem com os da intolerância à lactose. Sua diferença é estabelecida quando surgem com a ingestão de leite sem lactose. Ao chegarem ao consultório, muitas mães de boa observação trazem consigo o diagnóstico, uma vez que identificam as crises de dores e diarreia com a ingestão do alérgeno.

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