Faroeste nuclear
Sexta, 11 de Agosto de 2017

A cena era dos filmes de “bang-bang”: um desafiava o outro para um duelo de armas, bem no centro da “cidade”. Trump fez isso nesta semana, com a diferença de ser no centro do mundo, amplamente divulgado em todos meios de comunicação, de sorte que todos possam seguramente saber o que está ocorrendo. A outra diferença são as armas e o potencial resultado.

Ao invés de apenas os que se duelam serem atingidos, aliás, geralmente um deles apenas receberia o tiro, por se mais lento. No desafio em questão, a Coréia do Norte vem já há tempos e de maneira sistemática anunciando sua “evolução” nuclear quase que como um balanço trimestral divulgado por empresas de capital aberto, com periodicidade programada. A cada nova informação, o potencial de alcançar outros países intercontinentalmente é a parte mais relevante divulgada por Pyongyang, como se o duelo estivesse ao alcance do revólver que até então estava no colder.

As armas também mudaram, são nucleares e com potencial destrutivo em massa, justamente em um momento na história mundial em que é difícil alguém querer guerra. A resposta do presidente americano, no entanto, seja para revidar a ameaça ou provocar ainda mais a Coréia do Norte, foi incisiva e confrontadora.

Alguém de nós quer correr o risco de uma nova guerra mundial ou nuclear? Alguém aqui pode entrar na cabeça do ditador norte coreano e implantar um chip de paz na cabeça dele, mostrando o absurdo que uma desavença mundial como essa significa?

Não sei vocês, mas eu gostava de filmes de bandido e mocinho, incluindo as jornadas dos cavaleiros solitários desbravando os desertos com os descansos ao relento, emboscadas e algumas histórias paralelas à cena principal. Algumas vezes o duelador tinha piedade e mostrava grandeza em não dar o tiro final definitivo.

O problema agora é detectar quem é o mocinho nessa história contemporânea. Um “bandido” já sabemos qual é, mas diferentemente de Bush, que não revidou algumas ameaças pretéritas do país asiático, o governante americano parece gostar de uma ameaça para justificar o direito de, como que em um filme, apertar o botão escondido na caixa vermelha para detonar a iniciação da bomba a ser lançada contra o inimigo. “Pow - mission accomplished”.

O único detalhe é que não é um filme. Estamos vivendo essa realidade e todos poderemos ser afetados, por mais longe de nós que possa parecer estar ocorrendo.

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